Usar IA de ponta virou uma espécie de jogo do tigrinho

Carlos Affonso Souza


Se em janeiro de 2025 o noticiário cobriu uma inesperada revolução tecnológica chinesa, em julho de 2026 tecnologia, comércio e política andaram juntos nas manchetes.

Os modelos de fronteira deixaram de ser apenas produtos e viraram objeto de uma disputa que se trava em várias frentes. Os modelos chineses possuem, na largada, uma diferença por serem de código aberto, o que tornaria mais facilitada a sua adoção. Para além do terremoto causado pelo Kimi K3, a Alibaba já anunciou a nova versão do seu modelo Qwen 3.8, com uma modesta alegação de que ele perde apenas para o Fable 5. Se a estratégia americana é vender acesso expresso ao topo da montanha, a chinesa é distribuir mapas sobre como chegar lá.

Isso não significa que precisaremos de modelos de fronteira para tudo. Para a imensa maioria dos usos, como responder perguntas, resumir documentos, redigir e-mails, os modelos mais simples caminham para virar commodity, baratos e intercambiáveis como energia elétrica.

Mas na fronteira, onde se decidem programação avançada, pesquisa científica e agentes autônomos, a disputa está escancarada. E o fato de a China ter chegado perto mais uma vez começa a desenhar um roteiro que se repete: os americanos abrem vantagem, cobram caro por ela, e meses depois um modelo chinês aberto aparece entregando quase o mesmo por muito menos. Como se chegou nesse resultado são outros quinhentos.

Ao começar uma tarefa, o Claude não estima quantos créditos ele vai engolir até o fim. Usar o Fable virou uma espécie de jogo do tigrinho: você aposta uma recarga, torce para o trabalho terminar antes dos créditos, e quando a tela pisca pedindo mais, já está emocionalmente comprometido demais para desistir. Com a diferença de que, no tigrinho original, pelo menos o valor da aposta é conhecido de antemão.

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Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/colunas/carlos-affonso-de-souza/2026/07/23/usar-ia-de-ponta-virou-uma-especie-de-jogo-do-tigrinho.htm