O Galaxy Z Fold 8 é uma jogada de xadrez 4D contra o iPhone dobrável

O Galaxy Z Fold 8 é uma jogada de xadrez 4D contra o iPhone dobrável


O lançamento recente do Galaxy Z Fold 8, com seu novo formato estilo passaporte, foi uma jogada muito bem pensada da Samsung contra a Apple. Não porque o aparelho em si seja sensacional – ele até parece que é bem legal, por mais que tenha suas limitações óbvias e eu precise testar para ter certeza de quão bom ou ruim ele é –, mas sim porque, com um timing impecável e algumas decisões bem-feitas, a coreana conseguiu de uma vez só reforçar o seu portfólio contra a ameaça do iPhone dobrável que deve sair esse ano, cortar argumentos de cópia, estabelecer vantagem econômica e ainda alavancar sua experiência nos dobráveis para convencer o público geral de que as opções dela são superiores.

É uma verdadeira jogada de xadrez 4D, não necessariamente no sentido de ser algo realmente genial, mas sim por ser um movimento estratégico que ataca e defende simultaneamente para atingir resultados em quatro dimensões diferentes ao mesmo tempo, e eu vou explicar cada uma delas agora.

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Dimensão 1: espaço

O desenvolvimento de um iPhone dobrável pela Apple é um dos segredos mais mal-guardados da história recente da tecnologia. Já faz anos que circulam patentes, boatos de testes e outros burburinhos pelo mercado e nos portais de notícia tech – nós inclusos. E isso inclui o provável formato peculiar do dobrável, que lembra o de um passaporte.

Se tem uma coisa que a Samsung deixou bem claro ao longo das suas muitas décadas de existência é que não importa o que é que algum concorrente está lançando no mercado de dispositivos, a Samsung também vai fazer todo o possível para ocupar o mesmo espaço com um aparelho próprio. É uma atitude que, para uma empresa do tamanho e com a capacidade produtiva da Samsung, faz total sentido. Enquanto a maioria das concorrentes não tem espaço para arriscar muito fora do segmento em que são mais fortes, a coreana simultaneamente reforça sua dominância do mercado de smartphones e cria a sua versão de qualquer aparelho em um novo formato.

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Isso não é porque a coreana é mais corajosa, ousada ou intrinsecamente inovadora, mas sim como uma forma de precaução ou apólice de seguro. Um ataque preventivo para se defender de ameaças futuras. Caso lá na frente eventualmente se revele que uma dessas inovações era o “matador de smartphones”, a Samsung já está no mínimo com o pé na soleira, pronta para mudar o foco e não ficar para trás. A coreana está disposta a tomar prejuízos de curto prazo se isso garantir que suas concorrentes não irão reinar sozinhas em nenhuma nova categoria.

Foi assim com os smartphones em formato tradicional, com os fones de ouvido true-wireless e os relógios inteligentes, que ganharam seu espaço. Mas foi também com iniciativas que acabaram não tendo bons resultados em volume de vendas, como o Galaxy XR, feito em resposta ao Apple Vision Pro, e o Galaxy Z TriFold, que chegou depois do Huawei Mate XT. E agora com o Z Fold 8, a Samsung reage às chinesas, que fizeram modelos parecidos em alguns sentidos, e já adianta sua posição para quando o iPhone dobrável chegar.

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Dimensão 2: tempo

E aí você pode me perguntar: mas como a Samsung pode estar reagindo ao iPhone dobrável se ele nem foi anunciado ainda? Aqui estamos especulando um pouco, mas segue o raciocínio. Existem especulações de que isso foi possível por causa de informações privilegiadas que a Samsung Electronics, que faz dispositivos como smartphones, teria recebido da Samsung Displays. Mas quanto mais eu penso e pesquiso sobre a divisão de telas da coreana, mais improvável isso me parece.

A Samsung Display é uma das maiores fabricantes de telas do mundo, que fornece painéis não só para os próprios aparelhos da coreana, mas também para muitos concorrentes – Apple inclusa. E os rumores indicam que é a Samsung Display quem vai fornecer a tela do iPhone dobrável, então se a gente parasse só por aqui, não seria muito difícil imaginar uma trama à lá filme de espionagem, com a empresa repassando informações internamente para ter vantagem.

Só que a realidade tende a ser um pouco menos empolgante. Não há qualquer dúvida de que um acordo de fornecimento de componentes entre a Apple e qualquer outra empresa seria acompanhado de contratos de não-divulgação rigorosíssimos. No caso da Samsung Display, a Maçã certamente incluiria cláusulas com multas bilionárias caso esse tipo de espionagem interna fosse comprovada.

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Nesse caso, a explicação mais plausível para a agilidade da Samsung é que ela simplesmente estava na posição perfeita para reagir rápido nesse caso específico. A empresa já trabalha em vários formatos de telas flexíveis e dobráveis há mais de 13 anos. Sim, muito antes da primeira geração do Galaxy Fold e Flip, a coreana já tinha mostrado protótipos e conceitos do tipo. Na CES 2013, por exemplo, executivos da Samsung deram vislumbres de futuros possíveis, e em um dos conteúdos divulgados, um dos aparelhos que aparecem ali parece muito uma versão inicial do que poderia ter se tornado o Galaxy Z Fold 8.

Com a confirmação dos planos da Apple em uma mão e os anos de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de dobráveis na outra, a realidade é que a Samsung já estava com todas as peças no lugar, pesquisas e testes feitos e fábricas perfeitamente montadas para lançar o seu smartphone em formato de passaporte meses antes da concorrente. 

Independentemente de quem realmente começou primeiro a investir seriamente em transformar esse novo tipo de tecnologia em um produto real, o fato é que quando o iPhone dobrável chegar, os fãs da coreana estarão com as mesmas novidades nas mãos há meses.

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Dimensão 3: valor

Como a Apple ainda não anunciou oficialmente seu dispositivo, não temos qualquer informação definitiva sobre os preços. Mesmo assim, segundo analistas renomados como Ming-Chi Kuo, que frequentemente torna públicas informações internas da Maçã, a expectativa é que a novidade chegue custando entre US$ 2.300 e US$ 2.500. Variantes com mais memória podem chegar a mais de US$ 2.900.

Com toda a sua infraestrutura de fabricação de smartphones dobráveis já estabelecida há anos, a Samsung conseguiu lançar seu novo formato de dispositivo com o preço consideravelmente menor, começando em US$ 1.900. É um smartphone barato? Claramente não – longe disso, na verdade. Mesmo que a Apple lance o seu dispositivo pelo menor preço esperado, a diferença é de pelo menos US$ 400 dólares, o que dá mais de R$ 2 mil reais em conversão direta sem considerar taxas.

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Okay, um aparelho acima dos mil dólares já é considerado o produto ultra-premium, e aí o tipo de pessoa que sequer cogitaria comprar um não seria tão influenciado na sua decisão de compra por uma diferença de cerca de 20%. Mesmo que o Fold 8 tenha formato e tamanho similares, o mesmo nível de vinco quase imperceptível e seja livre dos potenciais problemas e imprevistos que podem surgir de um dispositivo de primeira geração feito por uma empresa que nunca fez algo parecido, os muros ao redor do jardim que é o ecossistema Apple ainda podem ser consideráveis o suficiente para desestimular a troca.

Só que a estratégia de precificação da Samsung nunca para por aí. A coreana é conhecida pelas suas promoções agressivas e cheias de camadas, incluindo fortes subsídios na troca de dispositivos usados, incluindo iPhones, por seus novos produtos. Além disso, os preços oficiais dos aparelhos Android tendem a cair bastante em questão de alguns meses, o que ainda é verdade mesmo nos dobráveis. Com tudo isso, não é difícil pensar em um cenário em que o Fold 8 sai por menos da metade do iPhone dobrável, mesmo trazendo virtualmente todas as mesmas vantagens (e potencialmente mais algumas). Até quem é rico pensaria duas vezes nesse caso.

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Dimensão 4: percepção

Até aqui, a situação já vai se montando para ficar bem favorável para a Samsung, mas aí veio a decisão mais maquiavélica da coreana na estratégia de lançamento. A quarta dimensão da jogada de xadrez da Samsung foi a decisão de lançar a novidade como uma espécie de irmão do meio, posicionado como a opção “ergonômica” de aparelho para quem quer a tecnologia mais avançada e os benefícios de produtividade que vêm junto, mas ainda quer algo compacto, mais fácil de carregar. Além disso, enquanto o único dobrável da Apple deve oferecer apenas essa mesma opção, a Samsung tem o Flip 8 para quem deseja ainda mais portabilidade e o Fold 8 Ultra para quem busca ir além para ter uma opção ainda mais avançada e com mais recursos.

Não basta que o Z Fold 8 menor traz o mesmo formato e a mesma tela quase sem vinco do rival, nem que ele provavelmente custa bem menos que o iPhone dobrável. Ele faz tudo isso sem nem tentar ser o melhor que a Samsung tem a oferecer em 2026. Quando a Apple anunciar sua novidade e tentar construir a percepção pública de que aquele se trata de um dispositivo tecnológico de ponta, inovador, a coreana pode rebater dizendo: “nós temos isso também, mas temos também esse outro aqui que é maior, com mais bateria, mais câmeras e ainda é mais fino. E mesmo ele custa a partir de US$ 2.100”.

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Xeque-mate?

Quem acompanha tecnologia de perto sabe que, por mais interessante que o Z Fold 8 Ultra seja, ele tem concorrentes chineses de peso que saem na frente em vários pontos. Mas enquanto eles sofrem com distribuição muito limitada, a Samsung entrega disponibilidade global imediata e campanhas massivas nas lojas de qualquer shopping. A gente, que gosta de tecnologia, se empolga com novidades mais avançadas, mas no mundo real, presença física atropela ficha técnica de nicho.

Toda essa estratégia não garante que a Samsung vai necessariamente ganhar a guerra dos dobráveis. Isso sequer garante que os dobráveis vão realmente fazer sucesso e invadir o mercado mainstream, indo parar nas mãos até das pessoas que nem ligam muito para tecnologia em si. Mas por mais que a coreana jamais vá admitir que algum dos seus lançamentos é uma resposta a algo feito por um concorrente e que tudo isso não impeça a Apple de vender milhões de iPhones dobráveis, a estratégia da Samsung no lançamento do Z Fold 8 com certeza posiciona a marca para garantir no mínimo uma vitória simbólica e impede a Maçã de sair com a imagem de pioneira mais uma vez.


E você, ainda acredita que o iPhone dobrável pode sair por cima? Explique seu raciocínio nos comentários abaixo. Continue acompanhando o TecMundo para mais notícias, análises e reflexões sobre o mundo da tecnologia todos os dias!



Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/celular/415088-o-galaxy-z-fold-8-e-uma-jogada-de-xadrez-4d-contra-o-iphone-dobravel.htm

Leonardo Barreiros Rocha