Novos desdobramentos sobre a invasão aos sistemas do Federal Bureau of Investigation (FBI, na sigla em inglês) revelaram que o ataque atingiu a divisão mais restrita de espionagem digital da agência norte-americana. O grupo ShinyHunters vazou uma lista com cinco mil registros que expõe dados pessoais de integrantes da Remote Operations Unit (ROU), equipe responsável por criar ferramentas para invadir e monitorar alvos de interesse dos Estados Unidos.
Em nota oficial, o FBI confirmou que investiga o caso. A entidade declarou que apura se o ponto de entrada da invasão ocorreu por meio de um fornecedor terceirizado ou de redes corporativas, e destacou que colabora com as empresas parceiras “para mitigar todo e qualquer risco”.
O órgão está ciente de um grupo criminoso que reivindica o comprometimento do portal fbijobs.gov e o suposto impacto em informações de identificação pessoal de nossos funcionários
FBI
A planilha compartilhada pelos criminosos com o portal 404 Media reúne nomes completos, endereços residenciais, telefones, cargos internos e, em alguns casos, contatos de cônjuges. Ao cruzar o arquivo com registros públicos e bases de dados vazadas no passado, a apuração jornalística confirmou a presença de ao menos três menções diretas à unidade de elite.
Risco à segurança nacional
O vazamento dessas identidades coloca em alerta a segurança nacional dos EUA. Afinal, números de telefone e endereços privados de operadores cibernéticos podem servir para ações de inteligência estrangeira, perseguição a investigadores ou tentativas de chantagem por quadrilhas internacionais.
O funcionamento da ROU é mantido sob sigilo quase absoluto em Washington, capital norte-americana. Uma auditoria realizada em 2020 pelo Office of the Inspector General (OIG) identificou que a divisão teve papel decisivo na criação de um software de invasão usado na “Operação Playpen”, que investigou e derrubou uma rede de abuso sexual infantil na dark web.
Com ajustes orçamentários posteriores, as tarefas da equipe deixaram o campo criminal comum e passaram a priorizar casos de segurança de Estado. O relatório do governo, com trechos censurados para preservar táticas confidenciais, revela que a divisão já operou softwares secretos inclusive em investigações comuns.
Perfis identificados no vazamento
A análise do arquivo vazado pelo coletivo ShinyHunters detalhou ainda perfis específicos desses servidores federais. Um dos integrantes ligados à unidade de espionagem possui passagem anterior pelo Serviço Secreto dos EUA, enquanto outro registro descreve um estagiário universitário da corporação.
Além da equipe secreta, a lista agrega funcionários de delegacias de crimes cibernéticos e servidores destacados para conter espionagem de governos da China e da Rússia, aspecto também apurado pela agência de notícias Reuters.
Origem da invasão
O ataque ocorreu por meio de uma brecha inédita no software corporativo Oracle PeopleSoft, contratado para gerenciar seleções públicas no FBIJobs.gov. O coletivo declarou que a invasão foi uma retaliação a alertas públicos divulgados pelo FBI contra ações ilícitas, e não uma tentativa de obter dinheiro rápido.
O jornalista investigativo Joseph Cox, da 404 Media, ressaltou o peso das descobertas trazidas pela verificação do vazamento. O repórter analisou as consequências do episódio:
Os achados destacam ainda mais a sensibilidade dos dados roubados e o alto valor que eles podem ter para criminosos ou para agências de inteligência estrangeiras
Joseph Cox, repórter do portal 404 Media
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Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/fbi-tem-unidade-secreta-de-espionagem-segundo-vazamento-de-dados/
Luísa Giraldo







