Falha no Telegram Desktop expõe histórico de conversas em arquivos exportados

Falha no Telegram Desktop expõe histórico de conversas em arquivos exportados


Uma vulnerabilidade no Telegram Desktop permitia que invasores roubassem conversas e informações confidenciais a partir de arquivos exportados pelo aplicativo. A brecha foi corrigida pela plataforma, que ofereceu recompensa financeira aos pesquisadores responsáveis pela descoberta, porém vetou a divulgação pública do caso sob a justificativa de segurança dos usuários.

O problema foi identificado pelos pesquisadores Denis Rostilov e Aleksander Rostilov, da empresa de segurança digital ExPatch. O relatório técnico identifica que a falha residia no recurso de exportação de mensagens no formato HTML, comumente utilizado para guardar históricos e relatórios de grupos. Por meio de um botão criado por robôs de mensagens (bots), comandos maliciosos ficavam invisíveis no bate-papo e eram ativados apenas quando a pessoa abria o arquivo gerado no navegador do computador.

Falha no Telegram Desktop expõe histórico de conversas em arquivos exportados Foto: Reprodução/ChatG

Em comunicado enviado aos pesquisadores por e-mail, o suporte do Telegram justificou a oposição em tornar o problema público:

“Também consideramos a possibilidade de uma divulgação pública, mas não podemos aprová-la, pois divulgar até mesmo problemas já resolvidos pode colocar mais usuários do Telegram em risco no futuro”, respondeu a empresa. A plataforma complementou que atores mal-intencionados poderiam tentar explorar o cenário e causar prejuízos financeiros aos utilizadores do serviço.

Detalhes da brecha

A dinâmica da ameaça chamava a atenção pela discrição e pelo alcance indireto, de acordo com os pesquisadores. O robô que criava a mensagem original não precisava estar presente no grupo espionado. Bastava que uma mensagem legítima ou de teste com o botão contaminado fosse encaminhada para qualquer comunidade. O código malicioso permanecia inativo no histórico por meses ou anos e só despertava se algum participante decidisse salvar as mensagens na máquina.

De acordo com o relatório da ExPatch, o impacto era imediato no instante da leitura. “Sem um segundo clique, sem aviso: todas as mensagens e metadados renderizados naquele documento podiam ser enviados para o servidor do invasor, e a própria página podia ser reescrita. O bot nunca entra no chat alvo: uma única mensagem encaminhada pode ser suficiente”, descreveu a equipe de pesquisa.

Quando a vítima abria o documento HTML baixado no navegador, o código secreto lia nomes de remetentes, horários dos envios, conteúdos trocados e até o caminho das pastas do computador da vítima. Nos testes apresentados pelos especialistas, os invasores conseguiam também substituir a exibição da tela por uma página falsa de verificação com a identidade visual do aplicativo, o que abria margem para tentativas de golpe para capturar senhas e e-mails.

E-mail thread com Suporte Telegram, 2026-07-01 — recompensa recusada, divulgação pós-correção recusada. Foto: Reprodução/Expatch

A vulnerabilidade permaneceu no código oficial do aplicativo por mais de dois anos. O erro entrou na versão estável do Telegram Desktop em março de 2024 e a correção oficial só foi concluída em julho deste ano. A brecha recebeu pontuação de gravidade 8.2 pela escala técnica do setor: nível alto de perigo.

O conserto foi incluído na versão 7.0.1 estável do programa para computadores. No entanto, os pesquisadores alertam que a atualização do aplicativo não consegue consertar arquivos HTML que os usuários já baixaram e guardaram no computador antes do ajuste. Documentos antigos que contenham a mensagem adulterada continuam perigosos caso abertos normalmente em programas como Google Chrome ou Edge.

Resposta dos pesquisadores

Os analistas da ExPatch recusaram a quantia de US$500 (cerca de R$2572), oferecida pelo programa de recompensas do mensageiro, e solicitaram que a quantia fosse encaminhada para caridade. O grupo decidiu tornar a análise técnica pública após a liberação da atualização oficial.

 

A recomendação central para quem utiliza o aplicativo em computadores é atualizar o programa imediatamente para as compilações atuais e evitar a abertura de relatórios antigos sem a desativação prévia de scripts nos navegadores.

Para grupos corporativos que guardam diálogos para controle interno, a orientação consiste em gerar novos arquivos para garantir que os dados arquivados estejam limpos de códigos suspeitos.

Por falar em segurança no universo digital, criminosos usam Claude para acelerar espionagem e ciberataques, segundo uma pesquisa. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.



Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/falha-no-telegram-desktop-expoe-historico-de-conversas-em-arquivos-exportados/

Luísa Giraldo