Usei o Galaxy Z Fold 8 por duas semanas: novo formato não é só hype
Os smartphones Fold e Flip são cada vez mais comuns, atraindo consumidores interessados em telas secundárias para notificações e espaço extra para multitarefa. E para quem busca um celular dobrável, o mercado ganhou um aguardado integrante.
Estamos falando do iPhone Duo, o primeiro dispositivo com tela dobrável da Apple, marcando uma das maiores transformações na linha. Ele chega para rivalizar com as linhas Galaxy Z Fold e Galaxy Z Flip da Samsung, Pixel Fold do Google e Mix Fold da Xiaomi, entre outras.
Mesmo com tantas opções disponíveis, muitas pessoas não sabem como os displays flexíveis funcionam na prática. Uma das maiores dúvidas é sobre a tecnologia para evitar a quebra do painel diante de tantos movimentos de abrir e fechar.
Como funciona uma tela de celular dobrável?
Enquanto as telas dos celulares convencionais usam vidro rígido e painéis LCD retroiluminados, os modelos com tela flexível trazem uma estrutura diferente para permitir a dobra sem danos. Ela é composta por finas camadas de materiais orgânicos intercaladas entre dois condutores.
O segredo está na tela OLED flexível usada nos dobráveis da Samsung, Motorola, Xiaomi, Oppo, Honor, Apple e demais fabricantes. Nesse painel, os pixels geram sua própria luz, dispensando outros componentes, o que o torna mais fino e flexível.
O Z Fold 8 faz parte da geração mais recente de celular dobrável da Samsung. Foto: Wellington Arruda/Estadão/TecMundo
Além da tela que se dobra sem rachar, eles dependem de uma dobradiça que resista a anos de movimentos repetidos, sobre a qual falaremos adiante. Um software adaptável às mudanças de forma do display, garantindo a transição adequada do conteúdo, é outro integrante do sistema.
Do que é feita a tela de um celular dobrável?
Alguns dos principais materiais e tecnologias utilizados são:
Camada de substrato
Base da tela, suporta as demais camadas e é feita de plástico, geralmente. A maioria dos modelos utiliza poliimida, polímero de alta resistência mecânica e estabilidade térmica.
Camada TFT
Acima do substrato flexível fica o transistor de película fina (TFT), responsável por gerenciar o fornecimento de energia para os pixels. Nas telas OLED, cada pixel é controlado individualmente, oferecendo altas taxas de contraste.
Camadas da tela flexível dos modelos Galaxy Z Fold 8 e Z Flip 8. Foto: Samsung/Divulgação
Camada OLED
Já a camada emissora de luz é composta por pixels individuais com subpixels vermelhos, azuis e verdes, gerando cores diferentes conforme a variação da quantidade de energia. A combinação de todos forma a imagem exibida na tela.
Camada de cobertura
Sela e protege as demais, consistindo na área tocada ao interagir com a tela dobrável. Ela pode ser feita com poliimida ou vidro ultrafino. Este último é mais resistente e tem textura semelhante à do vidro comum, mas com capacidade de dobrar.
Também conhecido como UTG, o vidro ultrafino tem entre 30 e 100 mícrons de espessura, mais fino que um fio de cabelo. O material se caracteriza pelo toque suave e não é tão propenso aos arranhões como a poliimida, que nos modelos mais recentes ficou restrita à parte interna.
Como a tela do celular consegue dobrar sem quebrar?
Junto com os materiais flexíveis e a estrutura em camadas, a dobradiça desempenha papel essencial, muitas vezes sendo considerada a principal inovação. O mecanismo traz engrenagens interligadas, possibilitando a dobra de maneira coordenada e controlada.
Diferente dos notebooks, que abrem e fecham bruscamente, a peça que faz a dobra nos celulares com tela flexível mantém a posição em diferentes ângulos. É assim que eles permanecem parcialmente abertos para visualizações sobre a mesa, gravar vídeos e outros usos.
Celulares com painel OLED flexível também estão disponíveis no formato flip. Foto: Motorola/Divulgação
No entanto, a geometria da dobradiça pode afetar a dobra visível no centro da tela. Quando o display é flexionado, um dos lados fica sujeito à tensão e o outro sofre com a compressão, devido às propriedades dos materiais.
A dobra visível não pode ser eliminada com a tecnologia atual, mas há meios de minimizá-las. Uma das apostas das fabricantes é a dobradiça em formato de lágrima ou gota d`água, aumentando o raio de curvatura para distribuir a tensão mecânica entre as camadas.
O vinco na tela pode aumentar com o uso?
Embora a dobradiça seja discreta o suficiente para não comprometer o design fino, é possível que o vinco se torne mais perceptível com o uso contínuo ao longo do tempo. Isso tem relação com o desgaste natural dos componentes à medida que o aparelho é aberto e fechado repetidamente.
Com os movimentos, as camadas flexíveis do UTG e dos polímeros ficam mais suscetíveis a microestresses na área da dobra. Outro problema é a resistência à água limitada, pois a vedação pode ser impactada pela folga nas dobradiças.
Para reduzir tais problemas, as empresas investem em melhorias na construção dos telefones. Nos modelos 2026 da série Galaxy Z, as dobradiças redesenhadas e o titânio na estrutura minimizaram o desgaste visual e permitiram receber a classificação IP48 aprimorada com proteção contra água e poeira, de acordo com a gigante sul-coreana.
Já o iPhone Duo possui dobradiça com mais de 100 componentes e é feita de titânio grau 5. Segundo a Apple, a combinação fornece suporte estrutural adicional e classificação IP68 de resistência à água com imersão a até 6 metros de profundidade por até 30 minutos, bem como proteção contra respingos e poeira.
Quanto tempo dura uma tela de celular dobrável?
Além de saber como a tela do celular dobrável consegue dobrar, outra dúvida comum é sobre a durabilidade. Assim como em qualquer gadget, ela depende dos cuidados e da frequência de uso.
Como são feitos os testes de abertura e fechamento?
Testes rigorosos para verificar a capacidade de abrir e fechar dos celulares dobráveis são realizados em laboratório. As marcas utilizam robôs que replicam anos contínuos de uso em poucos dias, checando também a resistência da dobradiça.
Os experimentos simulam ciclos de dobra com braços mecânicos. Eles acontecem sob diferentes variações térmicas, em câmaras climáticas, avaliando-os também em velocidades variadas com movimentos lentos, parciais, rápidos e abruptos.
Além disso, há os testes de intrusão de partículas de poeira e areia nas engrenagens, e de queda. Todas as etapas são monitoradas em tempo real na busca por alterações nas condições da tela flexível e dos demais mecanismos do gadget.
O iPhone Duo é um dos integrantes mais recentes entre os celulares com tela dobrável. Foto: Apple/Divulgação
Quantas dobras uma tela pode suportar?
A tela dobrável é planejada para garantir um mínimo de 200 mil ciclos de dobra e desdobra, conforme marcas como Samsung e Honor. Em modelos mais avançados, o número pode chegar ao dobro.
Dessa forma, abrir e fechar um celular dobrável 100 vezes por dia, em média, garantiria uma durabilidade real em torno de três a cinco anos, segundo dados oficiais. Mas vale ressaltar que a vida útil do painel flexível é afetada pelo manuseio, desgaste dos materiais e condições ambientais, entre outros fatores.
Tela dobrável quebra mais facilmente?
Os displays de vidro ultrafino têm maior sensibilidade a danos e arranhões do que as telas rígidas. A dobra além do limite definido pela fabricante é um dos fatores que propiciam a deterioração, mas a quebra espontânea não é o principal risco.
Quais são os pontos mais vulneráveis do display?
Mal uso cotidiano e a vulnerabilidade a agentes externos são os maiores vilões dos dobráveis. Isso envolve a remoção da película protetora que pode apresentar bolhas de ar no vinco e pequenas rachaduras na área da dobra.
A entrada de grãos de areia e poeira é outro problema, aumentando os riscos de danos à engrenagem da dobradiça, assim como moedas e outros objetos presos acidentalmente à tela no momento de fechar e sujeiras acumuladas.
Por fim, vale citar a baixa resistência da camada interna da tela contra arranhões, riscos e furos, pela ausência de materiais rígidos como nos displays comuns. Dessa forma, os modelos exigem cuidados extras para aumentar a durabilidade.
Telas enroláveis podem ser o próximo passo?
Se os dispositivos dobráveis se tornaram realidade, o próximo avanço deve ser a tela enrolável, que utiliza uma abordagem diferente. Nela, o display expande-se a partir do interior do smartphone, permitindo aumentar o tamanho da área de trabalho sem grandes modificações na estrutura.
O design elimina a dobra e as dificuldades relacionadas a ela, porém traz novos desafios de engenharia. O conceito apareceu em protótipos de notebooks e teve um modelo da Lenovo à venda no ano passado que expande a tela de 14 para 16,7 polegadas na vertical.
Continue no TecMundo e saiba mais sobre o celular com tela enrolável que a Samsung planeja lançar em 2028.
Com informações de Android Authority, Kings Research, Lyca Mobile, Honor, Apple e Samsung.
Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/produto-e-review/como-funciona-uma-tela-de-celular-dobravel/
André Luiz Dias Gonçalves







