Nas contas da Wily, um colaborador permanece ativo na plataforma em média por três meses, pois a atividade é entendida como um bico, um complemento de renda. Mas algumas pessoas fazem da atuação sua principal fonte de renda.
É o caso de Samuel Benjamin, de 26 anos. Ele trabalhou três anos com aplicativos de entrega antes de trocá-los pela Wily, com a qual já atua há dois anos. Vira e mexe, debate com os colegas sobre qual modalidade de trabalho é melhor. A favor da Wily contam o pagamento via Pix no mesmo dia e não precisar correr contra o cronômetro para a comida não esfriar ou a entrega passar do tempo previsto. Em prol de iFood, Rappi e outros apps do tipo entram a previsibilidade da operação —retirar um pedido e entregá-lo na casa do cliente— e a ausência do trabalho de tirar uma sequência de fotos e aguardar pela aprovação da IA antes de abraçar a próxima missão.
Trabalhando com sua bicicleta, Samuel conta já ter faturado de R$ 220 a R$ 280 em dias de alta demanda nas cidades de Itaquaquecetuba e Guarulhos. Mas a média diária gira em torno de R$ 150.
Ainda que a proposta da Wily seja moradores fiscalizando as redondezas de onde moram, foi só há pouco mais de um ano que Samuel passou a fazer isso em seu bairro, Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo —antes disso, a plataforma não operava por lá. No início, os vizinhos estranharam, mas depois relaxaram, diz ele.
Fotografar casas e hidrômetros alheios com celular gera desconfiança —e chega a ser perigoso, como conta Samuel:
Já aconteceu de eu chegar perto de uma casa para tirar foto e o morador achar que eu estava fazendo algo errado, perguntar se eu estava filmando a casa dele”
Como nem aplicativo nem as contratantes fornecem identificação oficial, ele confeccionou, por conta própria, uma camisa com o logotipo da Sabesp e um crachá. A sugestão veio de um policial. Assim, consegue entrar em comunidades e áreas de risco sem chamar tanta atenção. “Foi para a minha garantia. Com a roupa, o pessoal sabe o que estou fazendo ali e consigo trabalhar.”
O risco não é abstrato. Samuel narra ter sido agredido fisicamente na rua por um policial fazendo bico de segurança enquanto fotografava a fachada de uma fábrica para identificar uma ligação de água. Na ocasião, sua bicicleta foi destruída, e o dinheiro do agente mal deu para custear as rodas. A plataforma auxiliou financeiramente no conserto do veículo, mas o episódio escancarou a dimensão da vulnerabilidade física a que está exposto.
Samuel tem planos: quer cobrir mais regiões atendidas pelo Wily e, para isso, pretende comprar uma motocicleta. Antes, está na fase final para tirar sua carteira de habilitação.
Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/reportagens-especiais/empresas-de-agua-e-luz-abracam-economia-do-bico-e-uberizam-vistoria/




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