Pesquisadores e desenvolvedores dos ecossistemas de cripto e Ethereum, em um evento da Fhenix, alertaram a transição para um mundo pós-quântico já começou. E a janela para agir está se fechando.
O ponto central da discussão não foi a chegada dos computadores quânticos, mas a incerteza sobre quando isso vai acontecer. Sistemas projetados para durar décadas podem precisar ser substituídos muito antes do previsto. O custo de esperar, segundo os participantes, pode ser irreversível.
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Dados de hoje, vulnerabilidade de amanhã
A ameaça mais imediata discutida no evento foi o conceito de harvest now, decrypt later, ou “colhe agora, descriptografa depois”. Dados sensíveis protegidos pelos padrões criptográficos atuais podem ser coletados hoje e armazenados indefinidamente. Quando as capacidades quânticas se tornarem viáveis, esse material poderá ser exposto de forma retroativa.
O paradoxo atinge diretamente setores como finanças, saúde e cripto, onde a longevidade das informações é crítica. Dados considerados seguros por anos podem já estar comprometidos no longo prazo, mesmo que ninguém consiga acessá-los agora.
Uma segunda ameaça, ligada à primeira, é a potencial quebra das assinaturas digitais. Se comprometidas, atacantes poderiam se passar por indivíduos, instituições ou carteiras em blockchains, corroendo a confiança em sistemas inteiros.
Gargalo não é técnico
Padrões criptográficos pós-quânticos estão começando a tomar forma, mas a adoção segue lenta. O real obstáculo é a migração.
Atualizar a criptografia de sistemas críticos em escala global não se compara a instalar uma atualização de software. O processo exige coordenação entre ecossistemas distintos, mudanças no comportamento dos usuários e o manuseio cuidadoso de trilhões de dólares em valor protegido pelos sistemas atuais.
A margem para erro é praticamente zero. Falhas na camada criptográfica podem ter consequências irreversíveis, sem espaço para tentativa e erro.
Ethereum na linha de frente
Dentro do universo cripto, o Ethereum foi destacado como um dos poucos ecossistemas se preparando ativamente para essa transição. A abordagem orientada a pesquisa e a flexibilidade de governança do protocolo podem permitir uma adaptação mais rápida do que sistemas mais rígidos.
Tecnologias como a Fully Homomorphic Encryption (FHE), criptografia homomórfica completa, que permite realizar operações sobre dados sem precisar descriptografá-los, também ganham relevância nesse contexto. Originalmente desenvolvida para computação com preservação de privacidade, a FHE pode integrar a base da segurança pós-quântica.
A convergência sugere que a próxima geração de infraestrutura digital não vai separar privacidade e segurança, mas construir os dois juntos desde o início.
Janela de 5 a 10 anos para se adequar
Estimativas ainda colocam avanços quânticos significativos dentro de uma janela de 5 a 10 anos. Mas a preparação necessária para estar pronto nesse momento já pressiona contra esse horizonte.
Projetos não competem mais apenas em recursos ou escalabilidade. Cada vez mais, são avaliados pela capacidade de sobreviver à próxima era da computação. Nesse cenário, segurança pós-quântica não é uma atualização técnica. É um teste de viabilidade de longo prazo.
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Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/seguranca/412502-ecossistemas-de-criptomoedas-sao-os-mais-preparados-para-era-quantica-alertam-pesquisadores.htm
Cecilia Ferraz

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