Silent Hill: Townfall é o novo capítulo da icônica franquia de terror da Konami. O game chega em um período em que a série volta a ser protagonista do gênero, seja pelo sucesso de Silent Hill 2 Remake e de Silent Hill F, seja pelo esperado relançamento do primeiro título da saga, ainda sem uma data definida.
O novo game traz uma visão em primeira pessoa pela primeira vez em um título principal da saga, além de elementos mais focados na sobrevivência do que no combate direto. Isso sem perder seus pontos de sucesso, tanto na ambientação clássica quanto em um enredo que segue o mesmo estilo de narrativa. Mas será que ele realmente agradou? Confira o review completo!
Uma comparação inevitável com a nova fase de Resident Evil
Desde o primeiro título da saga, ainda na era 32 bits, por muitas vezes a franquia da Konami foi comparada com Resident Evil. Do estilo gráfico de câmeras fixas até a sua jogabilidade, não havia como negar que ambas as séries eram bem similares. Entretanto, o que realmente separava as duas era o terror psicológico que Silent Hill sempre explorou muito bem em quase todas as suas edições.
Silent Hill: Townfall chega com a missão de resgatar os elementos clássicos da franquia. Esse retorno ganha ainda mais força devido ao sucesso recente do segundo jogo e à grande expectativa em torno da esperada recriação do primeiro título da saga.
Silent Hill Townfall é mais focado na ação Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
É neste momento que entra uma estratégia um tanto ousada: beber da fonte de seu maior concorrente. Vale lembrar que o primeiro game foi uma resposta direta da Konami ao sucesso que Resident Evil fez na era 32 bits. Curiosamente, essa onda de recriações da Konami, que teve início no segundo capítulo e deve seguir para o primeiro, aconteceu logo após a Capcom revitalizar seus principais títulos. A virada começou com Resident Evil 2, que trouxe profundas mudanças na jogabilidade nas quais Silent Hill 2 se inspirou. Ou seja, o game também trocou o clássico sistema de câmeras fixas por uma visão em terceira pessoa.
Agora, o novo jogo chega com uma grande novidade: a visão em primeira pessoa. Coincidência ou não, os dois capítulos anteriores de Resident Evil, do 7 ao 8, apostaram nessa mudança de olhar para trazer maior imersão e ampliar o horror. O mesmo ocorre em Townfall, que também traz a proposta de fazer o jogador evitar ao máximo os confrontos, bem no estilo do game da Capcom. Darei mais detalhes sobre essa jogabilidade ao longo do texto.
Silent Hill Townfall se passa em uma pequena ilha na Escócia Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
E, por incrível que pareça, essa estratégia de se inspirar em Resident Evil talvez tenha sido a melhor escolha para o game. Ao mesmo tempo em que revitalizou uma franquia que já estava um pouco desgastada, a mudança trouxe uma atmosfera de terror ainda mais intensa. Isso fica claro logo nas primeiras horas, em que é preciso adentrar os famosos corredores vermelhos e degradados, agora mais próximos do que nunca com o novo ângulo de câmera.
Sendo assim, torço para que a franquia continue se inspirando naquilo que dá certo e faz sucesso. Porém, sem deixar de olhar com carinho para os elementos que a tornaram uma das maiores referências no gênero, principalmente pelo fator terror.
Depois do Japão, o terror te leva para a Escócia
Se em Silent Hill F a franquia levou os jogadores para o Japão dos anos 60, agora em Townfall você se aventura na ilha escocesa de St. Amelia no ano de 1996. Você assume o controle de Simon Ordell, um homem que acorda na região sem se lembrar de nada, nem mesmo de uma bolsa de sangue presa ao seu corpo, indicando que ele estava sob cuidados médicos antes de ir parar onde Judas perdeu as botas.
Assim como em todo game da franquia, o jogador começa investigando o desaparecimento de toda a população em meio a uma névoa misteriosa que carrega uma série de elementos sobrenaturais. Os perigos vão desde monstros totalmente desfigurados, incluindo alguns com metais enormes na cabeça, até criaturas gigantescas que parecem os Tripods do filme Guerra dos Mundos.
Silent Hill Townfall tem criaturas gigantescas Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
Como se não bastasse, você também controla Zoe Ellis, que tem a missão inicial de bagunçar ainda mais a história, transformando o simples surto de amnésia do protagonista em uma espécie de conspiração que envolve a cidade e seus habitantes.
Os acostumados com os jogos da série terão uma facilidade maior de entender o enredo, já que ele também se desenrola por meio de mensagens captadas ao longo de todo o jogo, com o bônus de alguns flashbacks jogáveis onde é possível saber mais da história de cada um dos personagens. Há espaço para algumas reviravoltas e plot twist, embora eu tenha achado boa parte deles bem previsíveis. Mas, como disse anteriormente, talvez por já estar acostumado com a forma com que os enredos dos games da série se desenvolvem.
Aliás, nesse momento cabe a minha primeira crítica: acho que já está na hora da Konami sair um pouco da caixinha e apresentar um desenvolvimento mais diferenciado para os próximos capítulos. Curiosamente, na minha opinião, o principal ponto positivo de Silent Hill F foi justamente sua história, muito mais focada em temas “‘ mais reais”, embora bem polêmicos, do que o tradicional flerte com elementos sobrenaturais totalmente apoiados em problemas ou traumas psicológicos. Fica a dica!
Silent Hill: Townfall traz de volta o terror característico da franquia Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
Bata e atire menos, se esconda e corra mais
Não há uma frase melhor para descrever rapidamente a jogabilidade de Silent Hill: Townfall. Como dito anteriormente, o game traz uma visão em primeira pessoa buscando não apenas uma maior imersão no jogo, mas também proporcionar aquilo que a franquia sabe fazer de melhor: um game assustador.
Para isso, o protagonista não encontra armas brancas com tanta facilidade. Imagine então balas, que, quando encontradas, ainda assim não fazem tanto estrago como anteriormente. Diante da proporção de inimigos que surgem ao longo da jornada, a única alternativa é se esconder e desviar das criaturas pelo caminho.
Em Silent Hill: Townfall, não tenha medo de ser covarde, pois só assim você sobreviverá!
Diego Borges
Como se não bastasse, há também uma mecânica um tanto estranha em que os inimigos sempre causam dano em um combate direto ou ao passar perto deles. Isso é mais um motivo para fugir das criaturas sempre que puder, guardando as preciosas armas e munições de alto impacto apenas para os momentos nas quais não há espaço para fuga. Falando em se esconder, esse também é um elemento novo, no qual é possível entrar em armários, cômodos e até mesmo determinados estabelecimentos. Curiosamente, ele funciona de forma bem parecida com um certo jogo da Capcom.
É possível se esconder em armários e outros locais em Silent Hill Townfall Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
Em contrapartida, achei que os elementos de cura surgem em maior quantidade. Por mais que eu apanhasse dos monstros pelas ruas ou corredores, sempre havia itens para repor minha energia quando eu precisasse. Para completar, a bolsa de sangue de Simon traz o personagem à vida quando ele morre com ela equipada, o que às vezes é até mais favorável do que gastar com bandagens e outros itens.
Mas como nem tudo são flores, há também alguns problemas ao longo da jornada. O principal deles é em relação ao tempo de duração da campanha. Ok, concordo que Silent Hill nunca contou com um capítulo tão longo, mas achei a sua extensão menor do que a de títulos mais recentes da saga.
Na primeira investida, perdi muito tempo com a resolução de alguns puzzles, principalmente a de um determinado cadeado, no qual achei mais simples testar de número em número do que ficar decifrando o vídeo que passava em minha TV portátil. Sendo assim, posso garantir que boa parte da jornada foi gasta muito mais com quebra-cabeças do que com exploração, investigação e fuga de monstros.
Me arrisco a dizer que é possível terminar o jogo uma segunda vez em cerca de três ou quatro horas, até pelo fato de haver uma conquista que premia quem conclui a jornada antes dessa marca.
Como se não bastasse, embora a ambientação do game tenha me agradado muito, há pouca coisa a ser explorada fora do objetivo principal, fazendo com que ele seja bastante linear. Logo de cara, você tem acesso ao mapa de toda a região, que impressiona pelo tamanho. Mas poucas horas depois isso se torna uma grande frustração, visto que apenas 20% dele pode ser de fato desbravado, já que são poucos os estabelecimentos e casas com a porta aberta, ou com alguma outra forma de entrar.
Silent Hill Townfall traz um cenário amplo, mas muito limitado Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
Por fim, vale também ressaltar a pouca variedade de inimigos. Este é um problema recorrente da saga, e embora existam diversas justificativas que façam sentido para isso acontecer, ainda sim esse elementos também poderiam se inspirar na franquia concorrente, que é popularmente conhecida por seus zumbis, mas que ainda sim traz outras dezenas de criaturas além deles.
Por fim, vale também ressaltar a pouca variedade de inimigos. Este é um problema recorrente da saga e, embora existam diversas justificativas que façam sentido para isso acontecer, ainda assim esses elementos também poderiam se inspirar na franquia concorrente, conhecida por seus zumbis, mas que também traz dezenas de outras criaturas em seus jogos.
Visual encanta e amplia a imersão
A versão de Silent Hill: Townfall usada para a produção deste review foi a de PC, que rodou em um computador com a seguinte configuração:
- Placa de Vídeo: GeForce 4090
- Placa Mãe: Asus Rog Strix Z790-h Gaming Wifi
- Processador: Intel i7 14700k
- Memória RAM: 32GB Kingston Fury Renegade
Com isso, pude jogar com todas as configurações gráficas no máximo e cravado a 60 fps. E em relação ao desempenho, nada a criticar, uma vez que o jogo não teve qualquer problema de queda de frames ou travamentos ao longo de todas as minhas jornadas.
Silent Hill Townfall traz gráficos que encantam e ampliam o terror Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
Já em relação aos gráficos, a visão em primeira pessoa fez com que houvesse um capricho maior na criação de toda a ambientação. Isso porque a proximidade com os elementos deixa tudo mais nítido, destacando detalhes que não eram tão explícitos com a câmera por cima do ombro do personagem. Isso fica evidente em objetos minuciosos, como itens sobre mesas e armários, ou até mesmo coisas dentro de um carro ou loja que só podem ser visualizadas através do vidro.
Falando em vidro, a maneira como o mundo continua acontecendo do lado de fora de um estabelecimento é muito realista. Por exemplo, de dentro da sala de uma casa é possível ver uma criatura se movendo em uma rua oposta, ou acompanhar seus movimentos por trás de uma janela, algo que em outros jogos sempre ficava oculto, principalmente pela ausência de recursos técnicos. Toda essa fidelidade visual faz com que Townfall seja um dos mais belos e realistas capítulos da franquia.
Entretanto, vale ressaltar um pequeno deslize que me incomodou bastante: a ausência de reflexos dos personagens. E não falo apenas de vidros ou janelas, mas sim de espelhos, nos quais não há qualquer reflexo dos protagonistas, dando a sensação de que são como fantasmas transparentes. Além de ser uma baita falta de capricho, é bem estranho passar por alguns locais e não ver nada, mesmo com tecnologias que auxiliam bastante esse tipo de efeito.
Silent Hill: Townfall leva o terror da série para uma visão em primeira pessoa Foto: Diego Borges/Voxel/Estadão
Vale a pena?
Silent Hill: Townfall conseguiu balancear muito bem as inovações sem perder os elementos de sucesso que consagraram a franquia. O resultado foi um jogo que remete à trilogia original da saga e ainda prepara o terreno para o retorno triunfal do remake do primeiro game, ainda sem data definida. O clima de terror é ampliado pela visão em primeira pessoa e pela dificuldade imposta pelas criaturas, junto à ausência de uma abundância de armas.
Entretanto, a linearidade e a curta duração prejudicam a experiência, fazendo com que ele seja aquele clássico exemplo de jogo que permanece instalado por apenas uma semana e pouco será revisitado. Apesar disso, posso afirmar que a franquia da Konami voltou a crescer e a ganhar protagonismo no gênero. Resta saber se essa linha de progressão continuará subindo e se os seus lançamentos anuais começarão a se tornar grandes eventos da indústria, como acontece com os novos games da série “concorrente”: Resident Evil.
Nota do Voxel: 88
Pontos positivos:
- A visão em primeira pessoa dá mais imersão e amplia o fator terror
- Ambientação em uma ilha europeia surpreende e agrada
- História serve como um bom pano de fundo para a trama
- Gráficos e desempenho impressionantes na versão para PC
Pontos negativos:
- Bastante linear e com poucas opções de exploração
- Pouca variedade de criaturas
- Curto demais para o preço de lançamento
- Alguns puzzles são bem questionáveis
E você, ansioso por Silent Hill Townfall? Conte para a gente aqui nos comentários!
Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/voxel/silent-hill-townfall-acerta-em-inovacoes-e-traz-um-jogo-com-uma-boa-dose-de-horror/
Diego Borges de Sa




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