Em 2026, a franquia Castlevania completa 40 anos e, para celebrar essa data, a Konami fez uma parceria com a Evil Empire (estúdio que ajudou a Twin Motion em atualizações e expansões de Dead Cells) para nos trazer um título inédito da série. Além do marco desse aniversário, Castlevania: Belmont’s Curse também é especial por nos levar de volta aos mundos 2D que eram característicos dos primeiros títulos da franquia, mas que não víamos desde 2008, com Castlevania: Order of Ecclesia no Nintendo DS.
Nós tivemos a oportunidade de jogar Belmont’s Curse com antecedência e te contamos nossas impressões no review a seguir!
Uma nova Belmont no comando

Rose é a nova protagonista e membro do clã Belmont Foto: Konami/Divulgação
Logo de início, vimos nosso querido Trevor Belmont sendo chamado pelo Bispo de Paris para lidar com um poder maligno que está tomando conta da cidade e que ninguém mais conseguiu resolver. Enquanto ele vai atrás do sacerdote, é sua filha Rose Belmont que decide investigar as ruas francesas e ver o que realmente está acontecendo, se tornando nossa protagonista.
A partir daí, o gameplay começa de verdade e você pode explorar diferentes áreas de Paris conforme for possível no momento. Como esperado, há muitos locais inacessíveis no início que vão se abrindo conforme você conquista novas armas, equipamentos e habilidades. Até por isso, você pode aguardar uma boa dose de backtracking, ou seja, quando precisa retornar a certos pontos do mapa para encontrar segredos, upgrades ou novos locais inteiros para visitar ou fazer progresso.
Essencialmente, Belmont’s Curse tem tudo o que um Metroidvania moderno costuma oferecer, mas com um toque especial de Castlevania. Isso pode ser bom para fãs de longa data da franquia, que queriam algo com a pegada dos jogos da série, mas com uma roupagem mais atual. Só que não necessariamente vai ser aquele jogo fechadinho e preciso que alguns apreciadores mais novos do gênero poderiam esperar.
Comparações inevitáveis

O game tem ideias novas e bem interessantes para a franquia Foto: Konami/Divulgação
Eu digo isso porque foi inevitável comparar esse jogo com títulos Metroidvania mais recentes, especialmente Hollow Knight e Silksong, por exemplo. Eu nem sou tão fã assim desses dois games em questão, mas sempre acabava lembrando deles enquanto jogava a aventura de estreia de Rose Belmont.
O estilo artístico é realmente muito bonito, mas quem quiser aproveitá-lo terá que jogar o título em uma plataforma que não seja o Nintendo Switch. O serrilhado e resolução nessa versão não fazem jus ao que o game realmente tem a oferecer em sua direção de arte. Já a trilha sonora não apresenta muita variedade e não é tão marcante como em outros games da franquia, apesar de ser agradável o suficiente ao longo da aventura.
A movimentação, precisão de comandos e o combate deixou a desejar um pouco na minha opinião. Eu sentia que não tinha uma consistência boa no controle de Rose, seja quando estava fazendo algo simples ou mais complexo em seções de plataforma. Em batalhas contra chefes, não vi um arsenal variado ou interessante de golpes nas primeiras horas, tornando esses encontros em algo menos divertido do que poderia ser.
Em todos esses quesitos, Silksong se destaca muito em comparação, mas é preciso dizer que Castlevania: Belmont`s Curse está repleto de boas ideias e novas mecânicas que dão um ar renovado à franquia. Até por isso, acho que muitos dos pontos “negativos” que citei podem nem ser um problema muito substancial para quem é mais fã de Castlevania do que de Metroidvanias no geral. Como tudo, vai depender bastante das expectativas de cada um.
Tudo melhora com o tempo

A nova aventura se torna mais divertida do meio para final Foto: Konami/Divulgação
O que posso garantir é que Castlevania: Belmont`s Curse é um daqueles jogos no qual que vale a pena insistir, já que ele vai melhorando muito conforme vamos progredindo. Você vai destravando armas muito legais, habilidades novas, arcanas interessantes, etc. São todos elementos que deixam o game bem mais divertido e proveitoso, o que compensa (e em certos casos, até resolve) um pouco dos problemas que falei acima.
Isso vale ainda mais para os combates, que se tornam mais dinâmicos e com mais opções do que fazer ou como abordá-los. Os chefes que aparecem mais para frente também ficam mais interessantes, mesmo que não ache que estejam no nível do que vimos em Silksong no ano passado. De qualquer forma, tudo realmente melhora, incluindo as seções de plataforma que encontramos mais para frente.
O que vale dizer é que após um certo ponto, você pode se apressar e zerar o jogo bem rapidinho, o que não significa que terá o final mais satisfatório possível. Se quiser realmente ter um desfecho interessante para Rose e a trama no geral, terá que se dedicar mais, o que recomendo demais, já que isso te leva naturalmente a experimentar as melhores coisas que Belmont`s Curse tem a oferecer.
Ainda assim, é uma boa informação de se ter, já que você pode passar pouco tempo nessa jornada ou estendê-la por um bom tempo se preferir. Outro ponto bem legal de mencionar é que o texto está totalmente localizado em português, o que facilita bastante para os jogadores brasileiros.
Vale a pena?
Belmont`s Curse chega para celebrar 40 anos de uma franquia que ajudou a criar um gênero que conquista fãs até hoje. Eu não diria que esse é o capítulo mais incrível da série nessas 4 décadas, mas é claramente uma comemoração muito competente e divertida da saga que acompanhamos há tanto tempo.
Para fãs veteranos, é um jogo que vale muito a pena, mas para quem é mais apreciador de Metroidvanias do que da franquia em si, talvez seja preciso relevar algumas das deficiências que o game apresenta em relação a títulos recentes.
No geral, Castlevania: Belmont`s Curse é um jogo interessante e que se torna realmente muito bom para quem consegue ignorar seu início lento para chegar na jornada que realmente transforma Rose em uma caça vampiros digna do clã Belmont.
Nota: 87
Pontos positivos:
- Armas e arcanas do meio pro final são muito divertidas
- O título melhora quanto mais se joga
- Trama e personagens são interessantes
- Muita coisa para se encontrar pelo mapa
Pontos negativos:
- Movimentação e controles nem sempre são tão precisos
- Trilha sonora pouco inspirada
- Experiência não é tão consistente de início a fim
Uma cópia do jogo foi cedida pela Konami para a realização da review.
Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/voxel/castlevania-belmonts-curse-e-boa-uma-comemoracao-para-os-40-anos-da-franquia/
Luciana Anselmo







