Toda franquia de sucesso corre um risco parecido: quanto mais capítulos ganha, mais complicado fica manter a coerência da história.
Algumas séries de filmes conseguem crescer sem perder o fio da meada, mas outras acabam se enrolando tanto em reviravoltas, retconn e explicações de última hora que o público sai da sessão com mais dúvidas do que respostas.
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Se você curte acompanhar o universo dos filmes de perto, provavelmente já topou com pelo menos uma dessas sagas confusas. A seguir, veja 4 trilogias que caíram nessa armadilha e entenda os motivos de cada polêmica.
Trilogias mais polêmicas do cinema
4. Matrix (1999-2003)
O primeiro Matrix é considerado um dos conceitos mais bem executados do cinema de ficção científica: Neo (Keanu Reeves) descobre que a realidade é uma simulação, escapa do controle das máquinas e assume seu papel como “o Escolhido”.
Simples, direto e visualmente revolucionário, tanto que é constantemente citado entre os grandes marcos da sétima arte.
O problema começa nas continuações, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, que expandem o universo com a política de Zion, a filosofia das máquinas, programas rebeldes, o Merovíngio, o Key Maker, a existência de Escolhidos anteriores, o Arquiteto e o plano de longo prazo do Oráculo.
O agente Smith (Hugo Weaving) também ganha vida própria como ameaça independente. Muita coisa é fascinante no papel, mas boa parte das cenas vira sessão de explicação, com personagens soando mais como professores do que como pessoas.
A trilogia fica na última posição porque sua confusão nasce de ambição genuína. As sequências tentam ir além do confronto simples entre humanos e máquinas para discutir controle, livre-arbítrio e se a própria profecia não seria apenas outra forma de programação, um debate que, aliás, aproxima bastante a saga do universo dos filmes de tecnologia mais aclamados.
O problema é a entrega: o famoso discurso do Arquiteto, por exemplo, é apontado até hoje como um dos maiores obstáculos para quem tenta reassistir a saga. Fãs conseguem explicar a lógica por trás disso, mas o filme deveria ter deixado o impacto emocional mais claro no momento em que acontece.
3. Animais Fantásticos (2016-2022)
A trilogia derivada do universo Harry Potter nunca pareceu confortável com seu próprio protagonista. Newt Scamander (Eddie Redmayne) começa como um magizoologista gentil, apaixonado por criaturas mágicas, o que dava um ângulo fresco para o universo bruxo.
O problema é que os filmes insistem em empurrá-lo para uma trama muito maior envolvendo Grindelwald (Johnny Depp e depois Mads Mikkelsen), Dumbledore (Jude Law), obscuriais, o misterioso Credence, pactos de sangue, política do mundo mágico, irmãos secretos e o avanço do fascismo bruxo.
Newt continua simpático, mas a trilogia o mantém sempre à margem de uma história que passa a pertencer a outros personagens.
O caso de Credence é onde a frustração fica mais evidente. Primeiro ele parece ligado à família Lestrange. Depois é revelado como Aurelius Dumbledore. Em seguida, essa revelação é ajustada de novo através de Aberforth. Cada reviravolta pede atenção do público, só para o filme seguinte enfraquecer ou redirecionar essa informação.
Grindelwald ainda troca de rosto ao longo da trilogia (recasting de Johnny Depp para Mads Mikkelsen), o que soma mais uma camada de confusão de continuidade, mesmo com boas atuações dos dois.
No fim, a saga tenta ser aventura de criaturas, backstory de Dumbledore, prequel político e ascensão de vilão ao mesmo tempo, e o resultado tem pedaços interessantes, mas vive discutindo consigo mesma sobre qual história realmente quer contar.
2. Star Wars: a trilogia prequel (1999-2005)
Os prequels de Star Wars são mais fáceis de acompanhar do que a fama sugere, mas o caminho até o final é exageradamente complicado para a tragédia que está sendo contada.
No centro, a história é simples: Anakin Skywalker (Hayden Christensen) é descoberto, treinado, manipulado e destruído pelo medo, orgulho e apego, tudo orquestrado pela paciência de Palpatine (Ian McDiarmid).
Isso poderia ser devastador de forma direta, mas a trilogia obriga o espectador a passar por disputas comerciais, procedimentos do Senado, estratégias de bloqueio, mistérios sobre o exército clone, regras do Conselho Jedi, linguagem de profecias, política separatista e o papel mutável do Conde Dookan (Christopher Lee) em meio a uma guerra cujas origens são propositalmente escondidas da maioria dos personagens.
O lado frustrante é que a ideia política por trás disso é ótima: Palpatine não conquista a República de fora, ele consegue que o próprio sistema lhe entregue o poder de forma legal, um dos conceitos mais inteligentes de toda a franquia do cinema de ficção científica.
O problema é a execução, que acaba amortecendo a emoção. A queda de Anakin precisava de intimidade e tensão crescente, mas grandes trechos da trilogia são dedicados a um processo político que muitos espectadores só entendem completamente depois de assistir a explicações externas.
O próprio exército clone é encomendado em nome de um Jedi já morto, usado pela República e conectado a um plano Sith, tudo isso aceito com surpreendentemente pouca investigação dramática dentro da história.
A tragédia finalmente acontece em A Vingança dos Sith, mas o trajeto até lá é bem mais cheio de curvas do que precisaria.
1. Star Wars: a trilogia sequência (2015-2019)
No topo do ranking está a trilogia sequência, e o motivo é simples: a confusão aqui nasce de um desacordo visível entre os próprios diretores de cada filme.
O Despertar da Força apresenta mistérios com muita confiança: a identidade de Rey (Daisy Ridley), o poder de Snoke (Andy Serkis), o desaparecimento de Luke Skywalker (Mark Hamill), a atração de Kylo Ren (Adam Driver) pelo lado sombrio e a ascensão da Primeira Ordem.
O ritmo é tão acelerado que as perguntas sem resposta soam empolgantes, não frustrantes, e nem de longe fariam feio numa daquelas listas dos 100 melhores filmes de todos os tempos do Rotten Tomatoes, pelo menos até aqui.
Só que Os Últimos Jedi decide rejeitar ou reformular várias dessas questões de propósito. Os pais de Rey são revelados como “ninguém”. Snoke morre sem qualquer explicação sobre sua origem. Luke se torna uma lenda amarga e envergonhada, que parou de acreditar no próprio mito.
Essa poderia ter sido uma direção corajosa para a trilogia, caso o terceiro filme assumisse as consequências dessas escolhas.
Em vez disso, A Ascensão Skywalker reverte o curso de forma tão agressiva que a trilogia inteira parece perder a própria identidade.
Palpatine retorna sem qualquer preparação real nos dois filmes anteriores. Rey se torna neta dele. Snoke é explicado por clonagem. O arco de redenção de Kylo é acelerado ao extremo. Localizadores Sith, o planeta Exegol, frotas escondidas, cura pela Força, o vínculo (dyad) entre Rey e Kylo e coordenadas de adagas antigas são todos empilhados em um único filme tentando responder discussões que a trilogia deveria ter resolvido bem antes.
O problema não é a complexidade em si, mas o fato de a trilogia mudar constantemente o significado da própria complexidade que ela mesma criou.
O que essas trilogias têm em comum
Analisando esses quatro casos, fica claro que confusão não é sinônimo de profundidade.
O erro recorrente dessas quatro sagas não é ousar, mas sim adicionar informação mais rápido do que conseguem transformar isso em drama compreensível, deixando o público com a sensação de estar remendando buracos de roteiro sozinho.
Se depois dessa lista você bateu aquela vontade de assistir algo redondinho, sem confusão nenhuma, dá uma conferida nos melhores filmes disponíveis no Tela Brasil, streaming gratuito e nacional.
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Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/604137-confira-o-ranking-das-trilogias-mais-controversas-e-confusas.htm
Jean Carlos Foss







