Quem lê tanta notícia?

Luiz Henrique Matos


Mas, nem só ditadores e aspirantes ao posto alimentam a crise da imprensa. Como produto, as ondas de transformação digital das últimas duas décadas também têm sido brutais. Mudou a cadeia de distribuição, a infraestrutura, o modelo de negócios e o formato do serviço a ser oferecido para uma audiência que, mais diluída, altera dramaticamente a lógica da demanda que vigorou por mais de um século. O jornalismo, que sempre foi caro para se produzir, ficou cada vez mais barato para se vender.

Somada às crises de interesse e confiança, há um problema de atribuição.

Acompanhei um grupo de engenheiros nessas visitas aqui em São Paulo. A primeira pergunta era se liam notícias online. A maioria dizia que não ou raramente. Mas, quando questionadas sobre onde obtinham informações sobre o trânsito, cotidiano, política e lançamentos de cinema, a resposta era que o faziam nas redes sociais. De que fontes? E nessa hora, pedíamos que abrissem seus celulares (quase sempre iam para o Instagram, TikTok ou WhatsApp) e mostrassem como isso acontecia na prática. O acesso era feito a partir de recomendações de amigos em links, republicações e, ora essa, pela sugestão automatizada de perfis de sites como Folha, G1, CNN e UOL.

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Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/colunas/luiz-henrique-matos/2026/06/18/quem-le-tanta-noticia.htm