Dizem que a mentira feminina é muito mais letal e desesperadora, porque não é instrumental: é gratuita e desejante. Mentem para descobrir o que o outro ou outra quer. Mentem por solidariedade. Mentem sem saber por que mentem.
Ignorando os riscos, é uma mentira ofensiva e não defensiva. Enquanto o homem mente sobre ter, a mulher mente sobre ser.
Mas é o discurso machista que torna a mentira mais complexa, ambígua e melíflua quando sai da boca de uma mulher. Desde a Inquisição, as mulheres eram colocadas como aquelas que seduziam, provocavam e até criavam desejo nos outros. E aqui temos que questionar o monopólio histórico dos homens sobre o que é mentira.
Assim como eles inventaram a Inquisição, eles inventaram o que significa mentir: dizer a alguém algo que é contrário ao que se pensa, percebe ou acredita. Os inquisidores sempre sabem o que pensam, querem ou defendem —ao contrário de nós, que, claramente, pensamos, queremos e acreditamos em coisas diferentes em momentos diferentes e com pessoas diferentes.
Daí vem a diferença da mentira feminina, rotulada de dissimulação, omissão, malícia, perfídia, veneno.
Como o veneno, não age na hora; precisa se espalhar, causando danos progressivos e generalizados, sem que se saiba exatamente como e por onde ele entrou. Quando nos damos conta, fomos tomados por inteiro.
Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/colunas/blog-do-dunker/2026/06/14/por-que-homens-e-mulheres-mentem-de-formas-diferentes.htm






