Cientistas encontraram tinta de canetas em meteoritos de Marte

Meteorito marciano analisado em pesquisa da Universidade do País Basco (EHU)


Para estudar o interior dos meteoritos, as amostras precisam ser cortadas e polidas, processo que utiliza ferramentas, solventes e materiais que podem introduzir contaminantes. Nem sempre é possível remover completamente esses contaminantes, o que pode levar a interpretações erradas sobre a origem de minerais ou moléculas detectadas.

A contaminação pode gerar falsos positivos e comprometer a confiabilidade dos resultados científicos. “A introdução e o uso de certos compostos externos durante a preparação da amostra podem levar a uma caracterização incorreta, pois não ficaria claro se os minerais detectados são resultado de contaminação ou se são realmente componentes originais dos meteoritos”, explica Leire Coloma, autora principal do estudo.

O estudo de meteoritos é fundamental para entender a composição geoquímica de Marte, da Lua e de outros corpos celestes. Desde 2014, o grupo IBeA da EHU colabora com a Nasa, recebendo meteoritos emprestados do Centro Espacial Johnson Space Center e mantendo sua própria coleção.

Os contaminantes se dividem em dois grupos: os gerados na preparação, como fragmentos de diamante usados no corte, e os do manuseio, como tintas azuis de canetas esferográficas e gel. Na rocha marciana em questão, foi detectada a molécula sintética “Hostaperm Violet” (pigmento violeta 23), usada em canetas gel, que claramente não é de origem marciana.

Os pesquisadores propõem substituir alguns materiais e solventes usados atualmente, como trocar o etanol por álcool isopropílico. “Em casos que envolvem minerais hidratados, argilas, materiais solúveis em polar ou amostras altamente porosas, solventes não polares, como hexano ou tolueno, são preferíveis para evitar o inchamento e o desmoronamento da amostra”, complementa Leire.

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Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/04/23/cientistas-encontraram-vestigios-de-tinta-de-canetas-em-meteoritos-de-marte.ghtm